Outras Notícias

Primeiro parceiro do ‘Fenômeno’, Clayton trabalha em prol de São Gonçalo

Ex-atacante que surgiu junto com Ronaldo Fenômeno no São Cristóvão se dedica ao COT (Centro de Oportunidade ao Talento), que auxilia crianças carentes em São Gonçalo.

Poucos podem contar histórias tão interessantes como ele. Nascido na Ilha do Governador, ainda jovem se mudou para São Gonçalo, onde passou sua infância e se tornou jogador de futebol profissional. Em um de seus primeiros clubes, fez dupla de ataque com um tal de Ronaldo Luís Nazário de Lima, que posteriormente ganharia fama como o “Fenômeno”, maior artilheiro de copas do mundo. Esse é Cleyton Grilo, para os íntimos, “Berreca”.

Clayton Grilo na sede do COT, no Porto Novo. Fotos: FUTEBOLGONÇALENSE.COM

De fala humilde e jeito simples, o ex-atacante de 36 anos, que rodou o Brasil e o mundo pelo futebol, hoje coordena um projeto social para crianças carentes, o Centro de Oportunidade ao Talento (COT). Com sede no bairro do Porto Novo, Clayton e sua equipe de voluntários atendem crianças entre 5 e 15 anos, todas com o mesmo sonho: ser jogador de futebol.

O FUTEBOLGONÇALENSE.COM mostra agora mais uma história de superação e amor envolvendo o esporte mais popular em terras brasileiras.

Início da carreira e parceira com Ronaldo

Ainda jovem, Clayton veio para São Gonçalo. Jogando bola no batalhão de Neves, o futuro atacante logo despertaria a atenção. De lá foi para o São Cristóvão. Em um dos clubes mais tradicionais do Rio de Janeiro ficou de 89 à 93. Nesse espaço de tempo fez dupla de ataque com Ronaldo Fenômeno, que até então era apenas uma promessa no futebol. Juntos se destacaram. Ali começava a peregrinação de Clayton pelos campos do mundo à fora.

“Foi uma fase muito boa. Éramos felizes e não sabíamos. Naquele tempo tinha que demonstrar futebol para se firmar em um clube e eu e o Ronaldo nos destacamos no São Cristóvão. Depois disso ele foi para o Cruzeiro e eu para o Grêmio. Depois rodei diversos clubes pelo Brasil, Panamá, Chipre, e vivi um lado que muitos não conhecem no futebol. Muitas das vezes sofri calote e jogava sem receber. Era a dura realidade.” relembrou.

Clayton no Grêmio. Foto: Arquivo Pessoal

Principal clube em seu currículo, o Grêmio tem um lugar especial no coração de Clayton. A identificação é tanta, que as cores do COT são como as do time de Porto Alegre, com uniforme idêntico.

“Antes de ir para o sul eu torcia pra o Fluminense, mas o Grêmio me conquistou. Era diferente jogar lá e até hoje o clube me reconhece. Por isso me inspirei nas cores do time para o nosso projeto aqui em São Gonçalo”, declarou.

Sem se firmar no Grêmio, Grilo passou a rodar o país. Foi assim até 2006, quando em uma grave contusão teve de encerrar a carreira no modesto Gênus-RO. Apesar de algumas decepções, o ex-atacante leva consigo o que de melhor conquistou no esporte: amigos.

“O futebol me ensinou o que é a vida, me deu um bom caráter e vários amigos. São pessoas que gostam de mim de verdade, inclusive me apoiando no COT, como o Paulo Paixão, Silas, Roberto Brum, Kempes, Marcelo Cordeiro, Diego Souza, entre outros.”

Surgimento do COT, crescimento e as dificuldades encontradas

Pouco tempo após pendurar as chuteiras, comovido com a situação de abandono que os jovens viviam em sua comunidade, Clayton, junto com um grupo de amigos teve a ideia de formar um projeto que levasse inclusão social através do futebol. Assim nascia o Centro de Oportunidade ao Talento, o popular COT. Pelas ruas do Porto Novo e bairro adjacentes é comum ver camisas do projeto. Em cada esquina a população demonstra abraçar a causa.

Clayton orientando os meninos do COT. Foto: Arquivo Pessoal

“Tivemos a ideia de iniciar o COT em 2006. Eu via as crianças daqui metidas em caminhos ruins e isso me incomodava. Eu queria fazer algo por elas. Criamos o projeto e hoje atendemos crianças de 5 à 15 anos, que precisam estar estudando. Nossa intensão é mostrar o lado certo da vida, através da experiência que adquirimos. Aqueles que se destacam nós tentamos encaixar em algum clube, mas nunca visamos o lado financeiro”, explica Clayton.

Mesmo diante dos percalços e falta de apoio, o COT vem crescendo e ganhando território. Hoje a entidade conta com um braço que funciona na Ilha do Governador, que é administrado por um dos amigos de Berreca, Robinho.

“As dificuldades são muitas, pois temos pouco apoio. A prefeitura nunca nos estendeu a mão. Tocamos o projeto com a ajuda da comunidade e dos empresários e amigos que acreditam na seriedade da causa e nos apoiam sem nenhuma contrapartida. Hoje já contamos com o COT na Ilha do Governador, onde o Robinho comanda e pretendemos ampliar nossa forma de trabalho, oferecendo um café da manhã e uma alimentação para essa garotada, que muitas das vezes não tem o que comer.”

Um dos idealizadores e amigos de Clayton, Marcelo Gomes se sente satisfeito em contribuir para a causa. “Começamos aqui com poucos meninos e hoje temos uma grande grupo. Estamos batalhando e crescendo. Vivi o mesmo que esses garotos, sonhando em ser jogador de futebol e espero passar um pouquinho dessa experiência junto com o Berreca”, disse.

Jornada dupla entre hospital e campos de futebol

Trabalhando atualmente no Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, Clayton divide seu tempo entre os plantões noturnos e os treinamentos e compromissos para o COT. Mesmo com a “correria” do dia a dia, o desejo pelo crescimento não para.

Clayton e Ronaldo Fenômeno, ainda no São Cristóvão. Foto: Arquivo Pessoal

“É muito compromisso ao mesmo tempo, mas vamos levando. Nossa próxima meta é criar a nossa fundação, onde vamos ter ambulâncias e todo tipo de assistência familiar. Já temos a sede, só falta mesmo o patrocínio para iniciarmos essa nova fase”, acrescentou.

Sonho de levar Ronaldo ao COT segue vivo

Entres os padrinhos do Centro de Oportunidade ao Talento estão diversos jogadores e personalidades gonçalenses. Roberto Brum, Marcelo Cordeiro, Kempes, a deputada estadual Graça Matos. Mas o principal sonho de Clayton é que seu primeiro parceiro de ataque visite o projeto.

“Meu sonho é trazer o Ronaldo aqui, não só o meu mas também o das crianças. Quem não quer conhecer o cara? Ele é diferenciado. Seria uma honra.”

Encerrando, Clayton demonstra humildade. Apesar de não seguir o mesmo caminho de fama e sucesso que Ronaldo, o gonçalense de coração já fica satisfeito em poder fazer o necessário pelo COT e a comunidade que ele tanto ama.

“Espero que eles não desperdicem a chance que um dia eu deixei passar. Apesar disso, não me arrependo, pois seu eu estivesse igual ao Ronaldo, talvez não pudesse ajudá-los tanto quanto agora.”

Apoio – Os interessados em apoiar o Centro de Oportunidade ao Talento (COT) podem comparecer a sede, situada na Rua Silvio Vale, Lote 15, Quadra 14 – Porto Novo – São Gonçalo-RJ. Os treinamentos acontecem no Campo do Cruzeiro, no mesmo bairro.

2 comentários

  1. O Clayton é um cara muito querido, o conheci nas peladas através dos campeonatos locais, porém fiz alguns testes no São Cristóvão em um período em que eles estavam lá sendo que eu era uma categoria acima por ser mais velho , enfim um cidadão como ele que cria um projeto dessa magnitude sem apoio do poder público merece ser lapidado , o COT é maravilhoso em todos os aspectos , principalme na formação de cidadãs de bem ! Parabéns meu amigo

Deixe uma resposta para Bruno Figueiredo de Faria. Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s