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Juventude Gonçalense: 18 anos de futebol e inclusão social em São Gonçalo

Projeto sediado no bairro de Guaxindiba rompe as fronteiras e atende crianças de todas as partes de São Gonçalo

Um sonho que ganhou forma e se tornou realidade. Esse é o Juventude Gonçalense, projeto social sediado no bairro de Guaxindiba, que atende atualmente cerca de 70 crianças de comunidades carentes do município de São Gonçalo. Há 18 anos, Natan Ferreira foi quem iniciou a caminhada e hoje seu filho, Jhonatan Porto, divide com ele a coordenação dessa instituição.

Juventude Gonçalense atua há 18 anos do território gonçalense. Foto: Divulgação.


E foi Jhonatan Porto quem recebeu a equipe do Site Futebol Gonçalense para falar sobre a caminhada de quase duas décadas que vem sendo desenhada de maneira brilhante em terras gonçalenses.

O nascimento foi em 1995. Natan Ferreira, que já tinha laços fortes com o futebol no bairro do Jockey, resolveu realizar um trabalho social. Em uma escolinha de futebol já existente em Guaxindiba, para onde havia se mudado, deu início ao que viria a ser o Juventude Gonçalense.

Mal sabia que o sonho ganharia terreno em São Gonçalo e todo o Rio de Janeiro, com a participação do Juventude nos mais diversos campeonatos do cenário carioca das categorias de base. Jhonatan Porto explica como surgiu o sonho no coração de seu pai e o intuito de realizar esse serviço de apoio à sociedade.

– Meu pai já trabalhava com futebol no Jockey, mas quando viemos para Guaxindiba, ele começou a ajudar uma pequena escolinha que já existia aqui. A partir daí foi sendo dada a sequência, até que chegamos nesse estágio. Somos uma instituição registrada e reconhecida, graças ao auxílio do senhor Luiz Roberto Carneiro, da FIA (Fundação da Infância e Adolescência), que é um dos nossos assistentes sociais.

– Nosso intuito sempre foi ajudar na educação dessas crianças, mostrando à elas os dois lados da moeda. Estamos evoluindo e já vemos muitos que aceitam e adquirem uma responsabilidade e levam consigo esses ensinamentos.

Jogadores do Juventude Gonçalense posam juntamente com equipe
do Liverpool-ING.

Uma das principais adversidades, segundo Jhonatan Porto, é a falta de contato com os pais e responsáveis, o que acaba por dificultar um atuação mais plena do projeto social no dia a dia dos jovens atendidos.

– Temos muito pouco contato com os pais. Tento chamá-los para que tudo seja regularizado, com referência a documentação, ficha dos atletas e até mesmo para que eles tenham mais controle. Nem sempre é possível, mas é uma de nossas bandeiras aqui. Que haja essa interação dos pais com o Juventude Gonçalense.

Falta de apoio do poder público é lamentada

Uma reclamação latente dos projetos sociais desenvolvidos em São Gonçalo, sejam eles com o foco no futebol ou em qualquer outro ramo, é a falta de sensibilidade por parte dos dos governantes, que muitas das vezes fecham os olhos para uma das maiores forma de inclusão social: o esporte.

No Juventude Gonçalense, a lamentação também existe. Segundo Jhonatan Porto, um trabalho com 18 anos de atuação em solo gonçalense e com tamanhas conquistas, não pode ficar esquecido e sem ajuda.

– Falta esse apoio, com certeza. Há anos que tenho oportunidades de falar com diversos políticos, sobre a necessidade de um auxílio ao nosso projeto, mas eles não dão a mínima. Nunca chegou ninguém disposto a ajudar – explica, mas sem perder a fé em dias melhores para uma população tão carente:

– É acreditar que vale a pena isso tudo. Estamos ajudando essa geração que é o nosso futuro. É um ideal. Estamos numa comunidade que vive em situações precárias, onde os pais vivem distantes. Fazemos de tudo para que essas crianças virem cidadãos de bem. Muitas das vezes abrimos mão do nosso tempo, dos nossos compromissos, para que o Juventude consiga prosseguir, para continuar o que meu pai começou.

Títulos, conquistas e participações inesquecíveis

Juventude Gonçalense conta com uma farta galeria de troféus.

Ao entrar na sede do Juventude Gonçalense, diversos troféus são vistos por todas as partes. São os frutos do projeto bem montado também dentro de campo. Participando de competições estaduais desde a sua fundação, o Juventude guarda boas lembranças, entre elas, as participações na Copa Zico, umas das competições de base mais concorridas do Rio de Janeiro.

Na primeira participação, os gonçalenses alcançaram as semifinais mesmo atuando em meio a times mais tradicionais. Em 2013, os resultados não foram tão bons, mas a troca de experiências com clubes tradicionais como Fluminense e Liverpool-ING é comemorada com grande alegria.

– Na primeira participação, estivemos muito bem. Fomos às semifinais e acabamos eliminados jogando muito bem, com garotos das mais diversas partes de São Gonçalo. Esse ano, saímos na primeira fase, mas tínhamos um elenco muito jovem. O mais importante foi a troca de conhecimentos. Jogamos contra o Liverpool e os garotos tiveram a oportunidade de confrontar um time de outro país, com uma outra cultura e uma forma diferente de atuar. Tudo isso eles vão contar lá na frente. Vai ficar gravado na memória deles.

Apesar de não conquistar a Copa Zico, o Juventude Gonçalense pode se gabar de uma vasta galeria de troféus, com os títulos do Campeonato Gonçalense Mirim, Copa Mauá Infantil, Campeonato Niteroiense Mirim, Campeonato de Futebol Feminino de Itaboraí, além de outros bons papéis desempenhados em municípios como Macaé e Cachoeiras de Macacu.

Novos projetos

Empenhado em dar prosseguimento a tradição de conquistas do Juventude Gonçalense, Jhonatan Porto projeta novas competições e desafios ainda nessa temporada. Para isso, um apelo é feito para que pessoas se sensibilizem a colaborar com a instituição.

– Estamos com diversos projetos, mas vemos essa necessidade de termos um auxílio. Aqueles que tem condições de investir e pensam que não terão retorno, estão enganados. Vale a pena colaborar com projetos como o nosso. Estamos enquadrados na lei de incentivo ao esporte, onde empresários podem ajudar e ter a dedução no imposto de renda.

Jhonatan finaliza lembrando que o Juventude Gonçalense representa uma comunidade que necessita de mudança em sua rotina.

– Aqueles que nos ajudarem, vão estar ajudando também uma comunidade. Muito se reclama de criminalidade, de tráfico de drogas e outros problemas, mas o que estamos fazendo para mudar isso? Temos que atuar e ajudar aqueles que precisam, para despertar o potencial dessas pessoas.

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