Itaboraí Retrospectiva

RetrôFG | Itaboraí confirma favoritismo e conquista Série C com sobras

Águia passa por cima de rivais e garante acesso combinado com a taça; nem mesmo saída repentina de treinador atrapalha

POR GABRIEL FARIAS

Nem o mais otimista torcedor do Itaboraí poderia esperar uma caminhada tão soberana de sua equipe rumo ao título da Série C do Campeonato Carioca de 2015. Em mais uma matéria da série especial “RetrôFG“, relembre como foi a trajetória da Águia na temporada mais importante de sua história.

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Motivos não faltaram para sorrir em 2015 na cidade de Itaboraí: acesso e título na Série C. Foto: Gabriel Farias.

Depois de bater na trave em 2014, perdendo o acesso nos play-offs para o São Cristóvão, o Itaboraí apostou no planejamento antecipado para obter êxito em 2015. A Terceirona teve sua rodada de abertura em 10 de maio, mas o elenco do Azulão começou sua preparação ainda em janeiro.

A ideia era mesclar talentos da região, alguns remanescentes do ano anterior e completar o plantel com jogadores que tivessem um pouco mais de experiência no futebol do Rio de Janeiro. Para isso chegaram duas das principais contratações: os meias Caio Cezar e Willian Bersan. O zagueiro Fabão, vindo do Oriente Médio, daria o toque de experiência, aos 34 anos.

Durante a longa pré-temporada, o time do treinador Paulo Cesar Teixeira foi testado contra adversários de divisões superiores, como Macaé, Portuguesa e Resende, por exemplo. Os resultados não vieram, mas todos no clube sabiam o que estavam fazendo. A resposta viria no futuro.

Início avassalador: ninguém segura a ADI
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ADI teve início avassalador na Série C: sete vitórias seguidas. Foto: Gabriel Farias.

A estreia do Itaboraí na Série C foi diante do Arraial do Cabo: vitória por 2 a 0 fora de casa. O primeiro confronto em casa, contra o Juventus, teve goleada: 6 a 1. Em seguida viriam outros cinco jogos, todos com vitórias. Artsul, Santa Cruz, Heliópolis, Esprof e Rubro Social. Um a um, todos foram sendo abatidos (uns até com certa facilidade).

Ao final do primeiro turno da Série C, o Itaboraí liderava o Grupo B com 100% de aproveitamento. A primeira colocação era sinônimo de acesso, mas o Campos seguia em sua cola. Com campanha quase idêntica, o Roxinho estava somente dois pontos atrás.

O topo da tabela ao término do turno deu ao Itaboraí o direito de disputar a final simbólica desta etapa da Terceirona. A partida contra o Artsul (que liderou o Grupo A) nada influenciaria no decorrer do certame. Valeria apenas um troféu. No duelo único, no Estádio Eucyr Resende, vitória dos iguaçuanos. O revés foi um dos poucos momentos de instabilidade da Águia em seu voo.

Edu chega, treinador sai, mas vitórias continuam
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Edu chegou no segundo turno e correspondeu. Foto: Gabriel Farias.

No intervalo para o returno, o Itaboraí foi ao mercado em busca de um atacante. Mesmo com 100% de aproveitamento na sua chave, a diretoria queria um camisa 9 que lhe desse segurança nos jogos mais complicados que viriam pela frente. Raí e Diegão não agradaram até então. O nome apresentado foi Edu, que em 2014 havia brilhado pelo São Gonçalo FC, sendo artilheiro da Série C.

O Azulão iniciou o segundo turno como terminou o primeiro: vencendo. Triunfos sobre o São Pedro (por W.O) e Nova Cidade, por 4 a 0. Após este confronto, no entanto, veio uma notícia que pegou a todos de surpresa. O técnico Paulo Cesar Teixeira pediu demissão alegando problemas de saúde – após o fim da Série C, o presidente Junior Cardozo se pronunciou emitindo um parecer polêmico. Paulo Cesar, que foi para os Estados Unidos, optou pelo silêncio.

Sem aquele que foi o responsável por montar o elenco, prepará-lo e treiná-lo em boa parte da competição, a diretoria da ADI decidiu por uma solução caseira, efetivando o auxiliar-técnico Brenner Antunes. Natural da cidade, ele teria seu primeiro desafio na função.

Embalo prossegue e nem derrota em Campos evita o acesso

O primeiro jogo de Brenner como comandante – ainda como interino – foi uma prova de fogo. Fora de casa, o Itaboraí bateu o Duque Caxiense por 2 a 1. Edu marcou o primeiro gol (uma pintura). Em seguida, triunfo tranquilo diante do Futuro, por 3 a 0, no Alzirão.

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Festa do acesso poderia ter sido em Campos, mas ficou para o Alzirão lotado. Foto: Gabriel Farias.

Veio então o que poderia ser a partida do acesso. Na liderança, o Itaboraí tinha quatro pontos de vantagem sobre seu principal concorrente, o Campos. Na casa do adversário, no entanto, a Águia sofreu sua segunda derrota na Terceirona, adiando a festa.

Com mais duas rodadas pela frente, o Itaboraí seguia dependendo dele mesmo. E fez sua parte, como era de se imaginar. Derrotou o Búzios por 3 a 2 e comemorou o tão sonhado acesso com triunfo fácil, por 3 a 0, sobre o São Gonçalo, num Alzirão delirante. O feito histórico ganhou as ruas da cidade, com o trio elétrico dos atletas campeões sendo ovacionado. Mas ainda teria mais o que comemorar em breve.

Diante do Artsul, uma vitória, um empate e taça na galeria
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Fabão, itaboraiense, levantou o caneco ao lado do filho. Foto: Gabriel Farias. 

Ao garantir o primeiro lugar do Grupo B e sacramentar o acesso, o Itaboraí ganhou também o direito de disputar a final da Série C. O Artsul foi o oponente, justamente seu algoz na decisão simbólica do primeiro turno. No jogo de ida, no Estádio Aniceto Moscoso, o Azulão venceu por 3 a 1, com dois gols de Edu e um de Caio Cezar.

Precisando somente do empate para levantar a taça no duelo derradeiro, o Itaboraí lotou o Alzirão, que chegou a ser ameaçado de não sediar a partida por falta de capacidade mínima para decisões (900 pessoas). A diretoria contornou o problema em tempo. A igualdade sem gols ao término dos 90 minutos determinou o Itaboraí como campeão absoluto da Série C em 2015.

Em 17 partidas ao longo da Terceirona, o Itaboraí somou 14 vitórias, um empate e duas derrotas. Há o que contestar? Não. Apenas aplaudir o trabalho bem feito que garantiu a primeira conquista do clube 39 anos após sua fundação.

Abre aspas

Junior Cardozo, presidente do Itaboraí, sobre saída repentina do treinador Paulo Cesar Teixeira:

Ele poderia ter conversado caso não aguentasse a pressão, mas simplesmente abandonou o barco. Hoje não sei onde está. Não está mais aqui, mas é um profissional que com certeza nunca mais trabalhará conosco.

Edu, após título e acesso pelo Itaboraí:

Não tem emoção maior do que comemorar com meu filho dentro de campo. Não tinha presente maior do que esse. Não queria só acesso. Vim para ser campeão.

Fabão, capitão da ADI, após a decisão da Série C:

Meu compromisso na ADI é até não me aguentarem mais. Enquanto puder ajudar dentro ou fora de campo, quero continuar. Conheço o presidente Junior e seu irmão desde a infância. Sempre estivemos juntos e nossa amizade vai além do futebol.

O ano em imagens

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