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Gonçalenses pelo mundo: treinador Victor Raposo se junta a ex-Real Madrid na busca por talentos

Trabalhar com o que ama, numa das cidades mais ricas do mundo e ainda ter ao lado um ex-atleta multicampeão. Essa é a rotina de Victor Raposo, em Dubai, no Emirados Árabes. Ele é treinador na Spanish Soccer Schools, academia de futebol para jovens atletas idealizada pelo ex-lateral Michel Salgado, importante jogador do Real Madrid e da Seleção da Espanha.

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Treinadores e atletas da Spanish Soccer Schools. Dentre eles, o gonçalense Victor Raposo. Foto: Divulgação.

Victor, natural do bairro Jardim Alcântara, em São Gonçalo, tem 38 anos e está há duas temporadas na Ásia. Inicialmente trabalhou na Milan Academy e, em seguida, ingressou na Spanish Soccer Schools, ensinando o futebol para crianças entre 6 e 12 anos. Atuar junto de um ídolo é algo marcante.

– É impressionante. O Salgado está lá todo dia, mesmo sendo um treinador com licença pró da UEFA, capacitado a treinar qualquer seleção do mundo. É um cara gente boa, super respeitador. Ele roda a academia toda. Eu procuro aproveitar, não só por tudo que ele passou na carreira, mas também pelo profissionalismo, a dedicação dele de estar sempre presente, acessível.

– Trabalhar com ele foi algo que me chamou atenção. Por ser treinador e ex-atleta, gosto de me desafiar, buscar um objetivo dentro do esporte. Quando surgiu a oportunidade, foi um fator que pesou. Foi a chance de absorver de um cara que eu via na TV, no Real Madrid com Zidane, Figo, Ronaldo…

Nas mãos, crianças dos quatro cantos do planeta

Dubai é conhecida por ser uma cidade multicultural que reúne pessoas das mais diversas partes do mundo. Para Victor, isso significa lidar com jovens de variados perfis e estilos dentro de campo.

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Raposo está há dois anos atuando na formação de atletas em Dubai, no Emirados Árabes. Foto: Arquivo Pessoal.

– Tem alunos de todo lugar que você imaginar. Muitos espanhóis, pela identificação com a academia. Mas tem brasileiro, argentino, uruguaio, europeus de todas as partes. Como tem essa diversidade, encontramos todos os níveis possíveis. O treinador tem que saber identificar e dividir os grupos de forma homogênea. Tem criança que nunca deu um chute e outras que começam a treinar e você acha que vieram de um clube profissional – explica o treinador gonçalense.

– O Michel Salgado teve a ideia da academia para dar aula de futebol para crianças, mas ao mesmo tempo visa dar a melhor capacitação para eles poderem galgar a profissão de jogador. Alguns saem para os clubes daqui e outros chegam a sair para a Europa. Aqueles que têm mais qualidade direcionamos para um grupo específico de alto rendimento.

São Gonçalo, Rio das Ostras, Portugal…

Antes de ser treinador, Victor Raposo trilhou o sonho que praticamente toda criança brasileira almeja: ser jogador profissional. Do futebol nas ruas de São Gonçalo, passando pelos primeiros passos nos gramados de Rio das Ostras, ele logo foi atuar em Portugal (Infesta e Boavista), retornando em seguida para clubes do Rio de Janeiro, como Madureira, Olaria e Bonsucesso.

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Victor Raposo é um dos profissionais que leva o nome de São Gonçalo ao outro lado do mundo. Foto: Arquivo Pessoal.

Ao mesmo tempo em que jogava, se preparava fora de campo na faculdade de educação física. Formado, passou a ser treinador em Rio das Ostras. Em 2018 rumou para o Emirados Árabes. Voltar ao Brasil é algo que não está descartado, apesar da estabilidade no exterior.

– Não tenho nada contra trabalhar no Brasil. Amo meu país, mas hoje, se fosse voltar, teria que voltar para uma realidade que seja equivalente em termos de condição de trabalho. Não sou o tipo de cara que penso em sair e não voltar – explica Raposo, que deixa o futuro em aberto quando se trata da sua profissão.

– Eu tenho um lema que é: você nunca pode deixar de sonhar. Nunca imaginei, quando via o Salgado atuar, que eu ia estar dividindo campo com ele, usando mesmo uniforme, trabalhando junto. E aconteceu. Não sei te responder onde me vejo no futuro, mas quero alcançar o máximo possível. Almejo sim chegar em um clube profissional ou alguma Seleção, mas não sei quando. Aonde me for permitido, vou chegar.

Em Dubai, clima é maior desafio

Mesmo para quem está acostumado ao calor do Rio de Janeiro, encarar as altas temperaturas de Dubai é missão das mais complicadas. O termômetro, na época mais quente do ano, beira os 50 graus.

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Forte calor de Dubai é capaz de intimidar até mesmo um carioca como Victor Raposo. Foto: Arquivo Pessoal.

– Fator pesado é o clima. Estamos começando a entrar no verão pesado. A temperatura em média é de 40 graus, com umidade muito alta. Não é igual no Brasil. Sou acostumado com calor, mas aqui é surreal. No auge do verão chega a quase 50 graus. Você não vê ninguém na rua. É todo mundo no ar condicionado. Na academia temos campo climatizado para essa época do ano – conta Victor, complementando com uma análise da parte religiosa do Emirados Árabes.

– Acho bonito e tenho admiração (pela cultura islâmica). Como trabalho em grande parte com crianças europeias, não chega a interferir. Eles têm o horário deles, você escuta o cântico nas mesquitas, nos alto-falantes. É a única coisa diferente, mas é tranquilo. Quando você chega na casa do vizinho, é você que precisa se adaptar à realidade local e não o contrário. Sempre tive essa ideia e vim preparado para isso.

Retorno gradual após pico da pandemia

Aos poucos as atividades esportivas vão sendo retomadas em Dubai, conforme explica Victor Raposo. Com a contaminação da pandemia do novo coronavírus controlada, os treinamentos vão sendo realizados em pequenos grupos de atletas. A expectativa é que em setembro a normalidade esteja próxima de ser alcançada.

– Há uns 10, 15 dias, está quase normal, com todo mundo respeitando as restrições que ainda temos. Na nossa atividade, durante a quarentena, realizamos treinamentos via vídeo, sempre curtos, para manter a criançada ativa. Diminuir o prejuízo com a falta de ritmo foi nosso objetivo principal.