São Gonçalo

Campeão pelo São Gonçalo EC, Diego concilia carreiras de goleiro e cantor

Para a maioria dos jogadores de futebol no Brasil não é possível viver apenas do esporte. Contratos de curta duração são a realidade. Sendo assim, resta ter uma outra atividade profissional. Diego Andrade, de 28 anos, é cantor do grupo de pagode “Somente Hoje”.

O goleiro é ídolo no São Gonçalo EC, onde conquistou a Série C do Campeonato Carioca de 2016. Na ocasião, foi eleito – por capitães e técnicos – o melhor jogador da competição em votação realizada pelo site FutRio.net. No Leste Fluminense, também vestiu a camisa do Gonçalense.

– É um tema que eu falo tranquilamente porque aqui no Rio não tem campeonato o ano todo. Sempre tive um salário legal nos clubes em que joguei, só que são contratos de seis meses e o ano tem 12. Então é normal os jogadores terem outras atividades. Um é psicólogo, outro trabalha em lanchonete, um tem peixaria… eu, por sorte, acabei sendo cantor de um grupo de pagode retrô. Aconteceu de brincadeira e foi ficando sério. O número de shows foi crescendo – explica Diego.

– Quem me levava para os clubes, continua me levando. E quem nunca me levou, não seria agora que levaria. Acho que não me prejudica. Fui campeão pelo São Gonçalo cantando. Na época do Boavista (2013 e 2014), eu estava começando a cantar. Sortudo é quem pode só jogar futebol. Minha prioridade é jogar, mesmo que seja para ganhar um pouco menos. Não tenho dúvida quanto a isso. Mas, assim como outros, tenho outra fonte de renda. Tem que ter noção de horário, de descanso. Não vou cantar numa sexta pra jogar no sábado. Futebol sempre foi prioridade.

No São Gonçalo, passagens distintas

Diego chegou ao Mais Querido pela primeira vez em 2016. Foi campeão da Terceirona, mas não ficou para o ano seguinte, quando recebeu proposta do Mesquita – o atleta é morador de Nova Iguaçu. Acabou retornando ao Leste Fluminense em 2018 para uma passagem mais discreta, ficando no banco de Luis Guilherme.

– No São Gonçalo foi um dos melhores momentos por tudo que vivi em 2016. Perdi meu pai, que me apoiava muito e era minha base. Passei a ser o homem da casa. Tinha dúvidas se iria jogar e fui procurado pelo São Gonçalo. Essa Bola de Ouro veio para ser a cereja do bolo, já que alcançamos o acesso e o título. Me abraçaram e viram liderança em mim. Alguns fatores fizeram diferença. O Renato (Alvarenga), como treinador, tirou o melhor de cada um, inclusive de mim.

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Em 2016, Diego foi campeão pelo São Gonçalo e eleito o melhor jogador da Série C. Foto: Jhonathan Jeferson.

– Na segunda passagem já foi diferente. Tinha dívida de gratidão com Renato. Em 2017 eu escolhi não jogar no São Gonçalo. Ganhei quase duas vezes mais no Mesquita e fiquei perto de casa, conhecia a todos. Quando voltei para o São Gonçalo, o Luis já tinha jogado a B1 pelo clube, tinha ido bem, todo mundo gostava. É um grande profissional. Fui para somar e não vi problema nenhum em estar no grupo. Fui sabendo que seria assim. Ele estava na frente por ter jogado um ano e ter dado continuidade.

Boavista marcado no coração

Além do São Gonçalo, Diego acredita que viveu um grande momento no Boavista. Entre 2013 e 2014, o arqueiro defendeu o Verdão de Saquarema, um dos clubes pequenos do Rio de Janeiro que possui melhor estrutura de trabalho.

– Fui o único que consegui migrar do elenco da Copa Rio para o do Campeonato Carioca. Eu queria muito treinar e agarrar as oportunidades. O time era muito experiente e tudo deu certo. Fomos campeões da Taça Rio. O treinador era o Américo Faria, que gostou de mim, me deu apoio. Um cara com experiência na Seleção Brasileira. Ele ter me abraçado foi fundamental. Fui um xodó dele – relembra Diego, que exalta também Getúlio Vargas, ex-companheiro de posição na Região dos Lagos.

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Passagens por São Gonçalo e Boavista são as mais marcantes da carreira, segundo Diego. Foto: Jhonathan Jeferson.

– Getúlio foi o melhor com quem trabalhei. Tem característica de liderança, lê bem o jogo, está sempre bem posicionado. Aparece no momento certo, sem defesas mirabolantes o tempo todo. É um cara líder, respeitado e vencedor, assim como um ídolo que tenho, que é o Rogério Ceni, que vai pelo mesmo caminho. Quando precisa, dá a palavra, é vencedor. Acaba resumindo tudo isso em títulos.

Novos desafios pela frente

A pandemia do novo coronavírus não impede Diego de projetar um futuro interessante ainda em 2020. O goleiro estuda propostas de Rondônia e Piauí para o encerramento dos Estaduais, que devem ser retomados em breve. No Rio de Janeiro, as Séries B1 e B2 também estão no foco.

– Financeiramente o mundo parou, mas tenho duas propostas para outros estados: Piauí e Rondônia. Estou até treinando. No Rio, acho que só teremos B1 e B2. Estou de olho e converso com algumas pessoas – concluiu o camisa 1.