Itaboraí

Caio Cezar, sobre volta ao Itaboraí em 2019: “Diziam que eu estava maluco”

Caio Cezar conquistou idolatria no Itaboraí com passagem vitoriosa entre 2015 e 2016. Saiu, rodou por times da Série A do Campeonato Carioca e topou voltar no ano passado, em meio ao momento mais conturbado do clube, que estava, àquela altura, virtualmente rebaixado na Série B1 do Campeonato Carioca. O que teria motivado o meia a retornar?

Em live com a torcida Legião Azul, no Instagram, Caio justificou a volta pelo carinho que sentia por instituição e torcedores. Ele ainda conseguiu liderar uma reação notável, mas que se mostrou insuficiente para evitar a queda à terceira divisão estadual. A frustração ficou, mas sem peso na consciência, segundo o jogador.

– Eu tinha algumas propostas de times da Série B1 do Rio. Aí começaram as sondagens e vi que o Itaboraí estava muito mal. Não sabia o que estava realmente acontecendo, mas eram goleadas e derrotas no Alzirão. Perder em casa era normal. Isso estava me causando mal. Eu tive chance de voltar com times bons e não queria voltar naquela circunstância, mas eu precisava viver a volta para a ADI. Se tudo acabasse e eu não fizesse nada, eu iria me culpar.

– Lógico que tenho sentimento de frustração por não ter conseguido (evitar a queda), mas tenho a consciência de que fiz aquilo que podia. Abri mão de ir para lugares com salários maiores e garantias melhores. Recebi pelo menos cinco ligações de pessoas dizendo que eu estava maluco. Pessoas que sabiam que eu estava colocando o meu na reta por pessoas que não mereciam. Repensei, mas comecei a receber mensagens da torcida e lembrei que lá eu me senti alguém especial. Sei ser grato e devia isso a eles. Sabia que era ídolo, herói e poderia virar vilão. Era muito fácil ficar na zona de conforto e seguir sendo herói.

Até a volta ao Itaboraí, em 2019, Caio Cezar nunca havia sido derrotado dentro do Alzirão. O primeiro revés veio no ano passado, diante do America. Jogo que ficou marcado pelo meia, que admitiu ter chorado ainda com bola rolando.

– Eu nunca tinha perdido no Alzirão até o jogo contra o America. Comecei a chorar no meio do jogo. Os jogadores do Itaboraí eram brabos. A grande maioria abraçou a causa. Conseguimos ganhar alguns jogos e voltamos a vencer no Alzirão.

– Quando caímos, tive o alento de encontrar dois torcedores na saída do jogo. Eles agradeceram pelo que fiz. Fiz o que meu coração pediu, embora não tenha alcançado o objetivo. Mas da forma que o clube estava, mesmo que livrasse, era questão de tempo para acontecer (o rebaixamento). Lamento demais o estado que nossa Águia chegou. Vão ficar as lembranças boas. É um alento que me deixa com a consciência tranquila. Tenho orgulho de ter vestido a camisa 8 da Águia.