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Antonio Cubango vive novo desafio no Kuwait, agora fora das quatro linhas

Como jogador foram diversos desafios em países como Brasil, Portugal, Omã, Catar e Kuwait. Neste último, Antonio Cubango viveu grandes momentos como jogador, se estabeleceu e, mais recentemente, aos 39 anos, iniciou a carreira fora das quatro linhas como treinador. Na última temporada em solo asiático, foi auxiliar-técnico do Al Jahra, clube que defendeu quando atleta.

Cubango é mais uma cria de São Gonçalo no futebol. Deu os primeiros passos na escolinha do Clube Mauá, chegou nas categorias de base do Flamengo e desenhou a trajetória profissional por clubes como CFZ (no Rio e em Brasília), Volta Redonda, Palmeiras (SP) e Grêmio Inhumense (GO). Na sequência se estabeleceu no exterior, acumulando larga quilometragem na Europa e na Ásia.

– Joguei uma temporada no Feirense de Portugal. Depois fui para a França fazer teste, mas meu contrato estava preso. Foi quando um amigo arrumou uma situação no Kuwait. Fiz teste, passei e fiquei seis anos (na época de jogador). Fiz coisas boas aqui – relembra.

Cubango chegou a jogar no São Gonçalo EC, em 2014, quando já maturava a ideia de se aposentar e iniciar alguma função fora de campo. Ainda chegou a vestir a camisa da Cabofriense, posteriormente. Em seguida, voltou ao Kuwait para trabalhar com academias de futebol. De lá para cá, vem subindo degrau por degrau, seja trabalhando como treinador, na prática, ou na capacitação em cursos como a licença A da CBF, a qual já possui.

– Trabalhei em academias de futebol, treinei equipes de uma universidade americana e em maio do ano passado recebi o convite para ser assistente-técnico no Jahra. Decidi aceitar e fiz essa temporada num clube que vinha há anos na primeira divisão, mas havia caído. Foi um baque.

– Recebi a mesma missão de quando fui jogador do clube, que era voltar à primeira divisão. Subimos com seis rodadas de antecedência e iríamos garantir o título antes da paralisação, além de termos alcançado a semifinal da Copa do Emir. Foi uma excelente temporada.

Opção pelo Kuwait

Ter se fixado no Kuwait como atleta e agora como treinador foi uma opção de Antonio Cubango pensando em balancear vida profissional e familiar. O ritmo mais tranquilo do esporte no país permite sempre foi um atrativo.

– Fiz a opção de balancear carreira com vida familiar. Fui muito feliz no Kuwait, mesmo sabendo que tinha condições de atuar em ligas mais fortes. Tenho muitos amigos que vivem a rotina de passar, em alguns casos, 10 dias fora de casa, sem conseguir participar da vida familiar.

– Sempre procurei também ter uma vida cultural, buscando atividades fora do futebol. E encontrei isso no Kuwait. Apostei nisso e não me arrependo. Considero como se fosse minha casa. Minha esposa adora e para o meu filho está sendo bom. Seguimos nessa opção por enquanto.

Curiosa origem do apelido

Antonio Silveira ganhou o apelido de Cubango ainda jovem, quando estava na base do Flamengo. Muitos podem pensar que exista alguma ligação com o bairro da cidade de Niterói, que leva o mesmo nome. A referência, na verdade, se tratou de um engano que acabou “pegando”.

– Eu tinha um treinador, o Léo, que ele olhava para a criança e dizia que tinha cara disso, cara daquilo. Ele achou que eu morava no Cubango e dizia que lá só dava craque. Acabou pegando e foi um apelido que me acompanhou a carreira inteira.

Múltiplas possibilidades pela frete

Mesmo tendo atuado como auxiliar na última temporada, Cubango deixa em aberto os vários caminhos que pode seguir na carreira. Novas possibilidades estão em mente. A única exigência é que seja um projeto desafiador.

– Dentro de tudo que me capacitei para fazer, ainda tenho margem para fazer um monte de coisas, seja como auxiliar, analista, treinador… desde que esteja sendo desafiado, como estava sendo na última temporada. Como auxiliar eu planejava, executava e estava sendo desafiado como treinador, mas sem a pressão do cargo. Me trouxe crescimento, me proporcionou desenvolvimento.

– As coisas do futebol nunca dão para planejar. Gostaria de fazer os primeiros anos da carreira como auxiliar. Tenho que fazer a licença pró da CBF ainda. Até lá, se pudesse, gostaria de ser desafiado como auxiliar. Depois da pró, com alguns anos de experiência, tentar alguma coisa sozinho – concluiu.